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Idosos do CDI iniciam alfabetização, aprendem a escrever nome e agora têm mais autonomia

Idosos do CDI iniciam alfabetização, aprendem a escrever nome e agora têm mais autonomia

Idosos do CDI iniciam alfabetização, aprendem a escrever nome e agora têm mais autonomiaSabe aquela vontade de aprender a ler e escrever? Pois é, ela foi apresentada pelos atendidos no Centro Dia do Idoso aos gestores do local e o resultado? A ideia foi aceita!

O trabalho começou há cerca de um mês com a responsável por incentivar e ensinar essa galera, Keila Araujo, a cuidadora e professora da turma que escutou o pedido e transformou a vontade deles em realidade junto com toda a equipe do CDI. “Os idosos viram a necessidade de escrever e também partiu deles esse pedido. Eles manifestaram o desejo de começar pelo menos a fazer o nome e estamos dando continuidade nesse projeto após essa primeira conquista de alguns”. Veja fotos

Keila tem 36 anos, é formada em letras e pedagogia, tem especialização em administração hospitalar e sabe lidar com a sua turma conforme a dificuldade de cada um. “Temos que ensiná-los num ritmo mais lento, repetir mais vezes, porque alguns têm dificuldade por enxergar menos, dificuldade de audição”.

A atividade de aprendizado acontece todas às segundas-feiras pela manhã e cerca de 8 idosos entre 60 a 80 anos participam. A cada aula um novo avanço e alguns já tem autonomia de poder escrever o próprio nome, além de aprender mais sobre a língua portuguesa.

Esse é o caso de Maria Cicera Claudino dos Santos, que é integrante do CDI há três anos e está bem feliz após sua nova conquista. “Agora já sei escrever meu nome. Era um sacrifício antes que eu não sabia fazer nem metade do que faço agora. Gosto muito daqui porque estou aprendendo cada dia mais”, afirmou.

Diferente de Maria Cicera, a sua xará Maria José Felix está dando os primeiros passos na leitura. Ela que está apenas há uma semana nas aulas, já ficou bem envolvida com o projeto de aprender a ler e escrever. “Nunca estudei na minha vida, mas estou aprendendo aqui”.

Ansiosa, Maria José sabe que tudo tem seu tempo e já pensa no passo seguinte. “A próxima etapa é escrever meu nome, vou aprendendo aos pouquinhos”, comentou.

A coordenadora do CDI, Gislaine Manga, destacou a importância de que mesmo nesta etapa da vida, eles aprendam pelo menos o nome. “É uma oportunidade imensa. A grande maioria aqui teve pouco ou quase nenhum estudo, porque antigamente tinham que trabalhar mais, cuidar de filhos e agora eles podem, pelo menos, assinar seu nome. Identificar seu nome escrito é uma vitória para eles, com toda certeza”.

Como apontou Gislaine, isso aconteceu com Maria Cicera que teve que deixar os estudos por conta de outras responsabilidades da vida.

De Arapiraca, em Maceió, Cicera se casou, teve quatro filhos, e não tinha tempo de estudar. A única coisa que estudou ao longo da vida foi por meio do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), da década de 60, que era uma forma de ensinar a ler e escrever por meio de cartilhas fornecida durante o período de Ditadura Militar. Porém, segundo ela, nada aprendeu na época.

Além de fazer o nome, ela aprendeu outras técnicas. “Agora já sei fazer as letrinhas, pintar os desenhos, faço flores, cada flor linda que faço a pintura. Já desenhei e pintei ovos de páscoa e coelhinhos, entre outras coisas”, contou a senhora de 63 anos, moradora do Jardim Progresso, em Franco da Rocha.

Hoje todos seus filhos estão casados e vivendo bem. Agora, Cicera dedica tempo para aprender e não desiste.

Sabendo da importância que terá na vida de cada idoso, a cuidadora Keila que se transformou professora no CDI, não esconde a felicidade em ver alguns, já em poucas semanas, escrever o nome. “É gratificante, é muito bom pensar que isso pode dar mais autonomia para eles, saber que eles não vão precisar tanto de outras pessoas para assinar o nome, ou resolver algumas questões pessoais. Eles têm autonomia a partir de agora”, comemorou.

Uma das idealizadoras do projeto, Carolina Nascimento, auxiliar e cuidadora no CDI falou sobre o sentimento ao ver a evolução de cada membro. “Para eles é muito importante e para mim também ao ver o resultado de cada um, da Cicera, da Maria, elas ficam estimulados quando estão aprendendo coisas novas, o nome, aprendendo a ler. Para a gente é um grande ganho. Essa é uma pedagogia social, fora dos espaços escolares, misturado ao público deles.”

E como disse a agora estudante Cicera, “Tem que tentar, pois se a pessoa não tentar como vai aprender?”, concluiu, mandando um recado a todos que ainda não sabem ler e escrever.

Quem tiver interesse em fazer parte dessa atividade ou integrar o CDI entre em contato pelo número (11) 4800-1898 para mais informações.

(Texto: Ewerton Geniseli – Foto: Orlando Junior)

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